sexta-feira, 10 de junho de 2011

Os Inimigos Desencarnados - Allan Kardec


Os Inimigos Desencarnados - Allan Kardec
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Ainda outros motivos tem o espírita
para ser indulgente com os seus inimigos.

Sabe ele, primeiramente, que a maldade
não é um estado permanente dos homens;
que ela decorre de uma imperfeição temporária
e que, assim como a criança se corrige dos seus defeitos,
o homem mau reconhecerá um dia os seus erros e se tornará bom.

Sabe também que a morte apenas
o livra da presença material do seu inimigo,
pois que este o pode perseguir com o seu ódio,
mesmo depois de haver deixado a Terra;
que, assim, a vingança,
que tome,
falha ao seu objetivo,
visto que, ao contrário,
tem por efeito produzir maior irritação,
capaz de passar de uma existência a outra.

Cabia ao Espiritismo demonstrar,
por meio da experiência e da lei
que rege as relações entre o mundo visível
e o mundo invisível,
que a expressão:
extinguir o ódio com o sangue é radicalmente falsa,
que a verdade é que o sangue alimenta o ódio,
mesmo no além-túmulo.

Cabia-lhe, portanto, apresentar uma razão
de ser positiva e uma utilidade prática
ao perdão e ao preceito do Cristo:

Amai os vossos inimigos.

Não há coração tão perverso que,
mesmo a seu mau grado,
não se mostre sensível ao bom proceder.

Mediante o bom procedimento,
tira-se, pelo menos, todo pretexto às represálias,

podendo-se até fazer de um inimigo um amigo,
antes e depois de sua morte.

Com um mau proceder, o homem irrita o seu inimigo,
que então se constitui instrumento
de que a justiça de Deus
se serve para punir aquele que não perdoou.

Pode-se, portanto,
contar inimigos assim entre os encarnados,
como entre os desencarnados.

inimigos do mundo invisível manifestam sua malevolência
pelas obsessões e subjugações
com que tanta gente se vê a braços
e que representam um gênero de provações,
as quais, como as outras,
concorrem para o adiantamento do ser,
que, por isso; as deve receber com resignação
e como conseqüência da natureza
inferior do globo terrestre.

Se não houvesse homens maus na Terra,
não haveria Espíritos maus ao seu derredor.

Se, conseguintemente,
se deve usar de benevolência
com os inimigos encarnados,

do mesmo modo se deve proceder
com relação aos que se acham desencarnados.

Outrora, sacrificavam-se vítimas sangrentas
para aplacar os deuses infernais,
que não eram senão os maus Espíritos.

Aos deuses infernais sucederam os demônios,
que são a mesma coisa.

O Espiritismo demonstra que esses demônios
mais não são do que as almas dos homens perversos,
que ainda se não despojaram dos instintos materiais;
que ninguém logra aplacá-los,
senão mediante o sacrifício do ódio existente,
isto é, pela caridade;

que esta não tem por efeito,
unicamente, impedi-los de praticar o mal e, sim,
também o de os reconduzir
ao caminho do bem
e de contribuir para a salvação deles.

E assim que o mandamento:

Amai os vossos inimigos
não se circunscreve ao âmbito acanhado da Terra
e da vida presente;

antes, faz parte da grande lei
da solidariedade
e da fraternidade universais.

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Allan Kardec
O Evangelho Segundo o Espiritismo
Cap. XII - item 05

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